Se você achou que a conta de energia já estava cara, os números de 2026 vão te surpreender — e não de forma positiva. Diversas concessionárias já passaram por reajuste tarifário em 2026, e a maioria ultrapassou com folga a inflação projetada de 4,89% para o ano, segundo dados do mercado financeiro.
Neste artigo, detalhamos os reajustes aprovados por concessionária, explicamos por que esses aumentos são maiores do que parecem — e o que você pode fazer agora para se proteger.

Por Que os Reajustes de 2026 São Maiores que a Inflação
A inflação projetada para 2026 é de 4,89%. Qualquer reajuste tarifário acima desse percentual significa que a energia está ficando mais cara em termos reais — você paga mais para consumir a mesma coisa.
E o cenário é ainda mais complexo do que parece. Dois mecanismos regulatórios afetam o impacto real dos reajustes:
UBP — Uso de Bem Público: recurso financeiro que algumas concessionárias recebem da ANEEL para reduzir o impacto tarifário sobre os consumidores. Quando uma distribuidora recebe UBP, o reajuste divulgado é menor do que seria sem esse recurso. Mas o dinheiro não some — ele é descontado de obrigações futuras da concessionária com o sistema.
Diferimento tarifário: mecanismo pelo qual a concessionária adia parte do reajuste para o próximo ciclo — com juros. Na prática, o consumidor paga menos agora, mas pagará mais depois. É um empréstimo embutido na tarifa futura.
Esses dois mecanismos explicam por que o “efeito médio para o consumidor” divulgado pelas concessionárias frequentemente esconde aumentos muito maiores para determinados grupos — especialmente o Grupo A (consumidores de média e alta tensão: indústrias, comércios de grande porte, empresas).
Os Reajustes de 2026 por Concessionária
Confira os números reais aprovados pela ANEEL em 2026, separados por grupo de consumo:
Light — Rio de Janeiro
Consumidores residenciais (Grupo B): +6,4% Demais consumidores Grupo B: +6,56% Grupo A (média e alta tensão): +13,46% em média Média geral: +8,5%
Já ultrapassou a inflação em todos os grupos. Para empresas do Grupo A no Rio de Janeiro, o aumento é quase três vezes a inflação projetada.
Enel Rio
Grupo B: +14% Grupo A: +19% Média geral: +15%
O maior impacto entre as distribuidoras do Sudeste. Para empresas no Rio de Janeiro atendidas pela Enel, 19% de aumento representa um impacto imediato e relevante no custo operacional. Consultorias de energia e soluções de eficiência energética se tornaram urgência, não opção.
Energisa Mato Grosso
Grupo B residencial: +5% (com recurso de UBP) Grupo A: +10% Média geral: +6%
O efeito médio de 6% pode parecer razoável — mas esconde o dobro desse percentual para consumidores do Grupo A.
Coelba — Bahia
Grupo B: +3% (com recurso de UBP) Grupo A: +10% Média geral: +5%
Sem o recurso de UBP, o reajuste seria de 12% para o Grupo B. Mesmo assim, o Grupo A paga 10% de aumento em 2026.
CPFL Santa Cruz
Grupo B: +17% Grupo A: +9% Média geral: +15%
O reajuste cheio seria de 20%. A CPFL Santa Cruz solicitou diferimento de R$59 milhões — adiando parte do aumento para o próximo ciclo, com juros. Ou seja: quem está na área de concessão da CPFL Santa Cruz pode pagar ainda mais no próximo reajuste.
Energisa Sergipe
Grupo B: +5% (com UBP de R$38 milhões) Grupo A: +12% Média geral: +6%
Novamente, o efeito médio de 6% mascara o impacto real de 12% para empresas e grandes consumidores.
Neoenergia Pernambuco
Grupo B: +3% Grupo A: +7% Média geral: +4%
Sem o UBP, seria 10%. O recurso de compensação reduziu significativamente o impacto — mas apenas temporariamente.
Equatorial Alagoas
Grupo B: próximo da inflação Grupo A: +7%
O UBP reduziu em 5 pontos percentuais o que seria um reajuste muito maior.
Neoenergia Cosern — Rio Grande do Norte
Grupo B: +3% Grupo A: +10%
O recurso de UBP de R$180 milhões foi determinante para segurar o impacto no Grupo B. O Grupo A ainda sofreu 10%.
Energisa Mato Grosso do Sul
Grupo B: +11% Grupo A: +12% Média geral: +12%
Diferente do Mato Grosso, não houve recurso de UBP aqui — e ainda houve diferimento de parte do reajuste, que chegará com juros no próximo ciclo.
CPFL Paulista
Grupo B: +9% Grupo A: +18% Média geral: +12%
A CPFL Paulista solicitou diferimento de R$2 bilhões — conseguiu diferir R$800 milhões. Sem esse diferimento, o reajuste seria ainda maior. Para empresas do Grupo A em São Paulo: 18% de aumento em 2026.
Roraima Energia
Média geral: +24%
O maior reajuste do país em 2026. Roraima passou a integrar o Sistema Interligado Nacional — o que trouxe encargos de transmissão que antes não existiam. Bem-vindo ao sistema, Roraima: a conta chegou junto.
O Que Ainda Não Está Nessa Conta
Os reajustes acima são apenas o que já foi aprovado. O que ainda está por vir:
LRCAP — Leilão de Reserva de Capacidade: mecanismo regulatório que vai acrescentar entre 4% e 13% nas tarifas de energia nos próximos anos, à medida que os contratos entram em vigor. Esse custo ainda não está embutido nos reajustes de 2026 — mas chegará.
Novos diferimentos com juros: as concessionárias que adiaram parte dos reajustes precisarão incorporar esses valores nos próximos ciclos — com correção. Quem paga menos agora, pagará mais depois.
A conclusão é direta: o que estamos vendo em 2026 é o começo de uma trajetória de alta tarifária estrutural — não um ajuste pontual.
Como Se Proteger: Soluções Que Já Funcionam
Para empresas do Grupo A — que sofrem os maiores impactos — e para consumidores residenciais que não querem depender da variação tarifária, existem caminhos concretos:
Energia solar fotovoltaica: trava o custo da própria energia. Quem gera sua própria energia não está exposto a reajustes da distribuidora. Com o payback residencial entre 3 e 5 anos e o empresarial abaixo de 3 anos em muitos casos, a matemática ficou ainda mais favorável com os reajustes de 2026.
Sistema híbrido com armazenamento em baterias: com o Fio B em 60% e a tarifa branca tornando o horário de ponta mais caro, armazenar energia e autoconsumir virou decisão financeira — não luxo. Empresas que combinam solar com bateria se protegem dos dois lados: da alta tarifária e da redução do valor dos créditos de injeção.
Migração para o mercado livre: com a MP 1.300/2025, consumidores do Grupo A já têm acesso ao Ambiente de Contratação Livre. A partir de agosto de 2026, todos do Grupo A poderão negociar diretamente — com prazo, indexação e composição de portfólio. Para quem paga 18% de aumento no mercado cativo, a migração pode representar economia imediata.
Eficiência energética: reduzir o consumo no horário de ponta, modernizar equipamentos e otimizar processos são medidas complementares que ampliam o resultado das soluções energéticas.
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Conclusão
Os reajustes tarifários de 2026 deixaram uma mensagem clara: a conta de luz vai continuar subindo — e os aumentos são maiores do que o efeito médio divulgado pelas concessionárias sugere, especialmente para empresas do Grupo A.
Com o LRCAP ainda por entrar nas tarifas e os diferimentos chegando com juros nos próximos ciclos, quem esperar para agir pagará mais — tanto na conta de luz quanto no custo do próprio investimento em energia solar.
A decisão de instalar solar em 2026 nunca fez tanto sentido financeiro. E os dados das concessionárias, ironicamente, são o melhor argumento para isso.
Referências
- Canal Solar / Instagram @joyconsultoradeenergia — Transcrição de vídeo sobre reajustes tarifários 2026 por concessionária: instagram.com/reel/DYFOamXiECx
- ANEEL — Homologações de reajustes tarifários 2026: aneel.gov.br
- Canal Solar — Como gerenciar clientes com GD e baterias num mercado em abertura total, MP 1.300/2025 (maio/2026): canalsolar.com.br
- Canal Solar — A revolução solar não pode ser freada pelo discurso do subsídio cruzado (maio/2026): canalsolar.com.br
- MP 1.300/2025 — Abertura do mercado livre de energia: planalto.gov.br
- Lei 14.300/2022 — Marco Legal da Geração Distribuída: planalto.gov.br


